sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

*Fotos em breve

É difícil fugir de clichês quando se fala do entrevistado de ontem do Panorama do Vale, Clodoaldo Silva.

O potiguar que até os sete anos só conseguia se locomover arrastando-se pelo chão, é atualmente considerado o maior atleta paraolímpico do mundo pelo Comitê Olímpico Internacional. É também um dos únicos três atletas brasileiros agraciados com o Troféu Hors Concours. Além dele apenas os dois Ronaldinhos do futebol, o Nazário e o Gaúcho receberam esta que é a maior honraria do Prêmio Brasil Olímpico.

Clodoaldo representa mesmo “uma lição de vida”, com sua trajetória improvável e repleta de superações. Entre os relatos que os ouvintes do Panorama puderam ouvir da boca do atleta, a curiosa revelação de que sua primeira medalha esportiva não foi conquistada em uma piscina.

“Quando eu falo as pessoas estranham, mas minha primeira medalha foi conquistada jogando futebol”, afirmou. O estranhamento é natural, já que Clodoaldo teve os movimentos de suas pernas comprometidos por falta de oxigenação em seu cérebro, sofrida no instante em que nascia. E como era possível jogar bola dessa forma? Clodoaldo explica: “A vontade de jogar era grande e eu ficava de muletas perto do gol. Quando passavam a bola pra mim eu chutava, a bola ia pra um lado, as muletas pra outro e eu para o chão. Nessa competição em que ganhei a medalha de “Honra ao Mérito”, nosso time foi o sexto colocado. Eram seis equipes”, disse sorrindo.

Essa e outras histórias de sua vida e vitoriosa carreira Clodoaldo contou também em palestra na Câmara Municipal do Assú, marcando o encerramento da I Semana Municipal da Pessoa com Deficiência, evento realizado pela prefeitura do Assú em parceria com o Centro de Reabilitação Infantil (CRI), a Associação Beneficente Irmã Lindalva (ABIL) e a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (APAE).

Instituto Clodoaldo Silva

Questionado sobre patrocinadores, Clodoaldo explicou que possui alguns, todos de fora do Rio Grande do Norte. O atleta revelou ainda que treina no Rio de Janeiro, na cidade de Niterói, por contar com uma boa infraestrutura, capaz de lhe preparar para as constantes competições das quais participa. A última delas deverá ser a Paraolimpíada de 2016 . Tenho que viver fora do RN para poder continuar competitivo, infelizmente. Mas minha mãe continua morando em Mãe Luiza, bairro onde morei minha vida inteira. Lá eu cresci por pura necessidade, por ser de família muito humilde, carente de recursos. É lá que eu fico sempre que venho a Natal e é lá que vou morar no futuro, por opção”.

É justamente em Mãe Luiza, considerado um dos bairros mais carentes e perigosos da capital potiguar, que Clodoaldo pretende instalar em breve o Instituto Clodoaldo Silva, voltado à inclusão social de crianças e jovens com e sem deficiência física. “Seria uma forma de segregação se o instituto recebesse apenas crianças com deficiência, e o nosso objetivo é outro: o da integração”.

Com atitudes como essa que Clodoaldo passou a ser visto no planeta como um exemplo. Dentro ou fora das piscinas.

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