sexta-feira, 18 de março de 2011

José Roberto Arruda. Você já ouviu esse nome. Ex-senador e governador do Distrito Federal, seu nome ganhou repercussão nacional pela primeira vez quando violou o painel do Senado em 2001. Voltou a ser destaque nos jornais brasileiros no ano passado, como figura central de um esquema de corrupção apelidado como “mensalão do DEM”.

Na época, Arruda foi preso (por dois meses) e, detido na sede da Polícia Federal em Brasília, dedicou-se a redigir um manuscrito, levado por seus advogados à um cofre. Eram 12 folhas manuscritas. Recheadas de acusações contra expoentes do Democratas, inclusive ao senador potiguar José Agripino Maia, recém-eleito presidente nacional da legenda. Agripino, assim como todos os outros citados por Arruda, negou tudo.

Ontem, Arruda (expulso do DEM e sem partido) voltou a ser notícia. Numa explosiva entrevista à Veja -- que ele alega ter sido dada à seis meses e ter sido publicada fora de contexto -- voltou a falar sobre corrupção, apontando sua metralhadora para todos os lados. Sobrou munição até para a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV).

Abaixo a reprodução de trechos da entrevista.

O senhor é corrupto?

Infelizmente, joguei o jogo da política brasileira. As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso. É preciso de muito dinheiro para aparecer bem no programa de TV. E as campanhas se reduziram a isso.

De que modo o senhor conseguia o dinheiro?

Como governador, tinha um excelente relacionamento com os grandes empresários. Usei essa influência para ajudar meu partido, nunca em proveito próprio. Pedia ajuda a esses empresários: “Dizia: ‘Olha, você sabe que eu nunca pedi propina, mas preciso de tal favor para o partido’”. Eles sempre ajudaram. Fiz o que todas as lideranças políticas fazem. Era minha obrigação como único governador eleito do DEM.

Esse dinheiro era declarado?

Isso somente o presidente do partido pode responder. Se era oficialmente ou não, é um problema do DEM. Eu não entrava em minúcias. Não acompanhava os detalhes, não pegava em dinheiro. Encaminhava à liderança que havia feito o pedido.

Quais líderes do partido foram hipócritas no seu caso?

A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! Em 2008, o senador Agripino veio à minha casa pedir 150 mil reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). Eu ajudei, e até a Micarla veio aqui me agradecer depois de eleita. O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília.

O senhor ajudou mais algum deputado?

O próprio Rodrigo Maia, claro. Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador.

Mais algum?

Foram muitos, não me lembro de cabeça. Os que eu não ajudei, o Kassab (prefeito de São Paulo, também do DEM) ajudou. É assim que funciona. Esse é o problema da lógica financeira das campanhas, que afeta todos os políticos, sejam honestos ou não.

Por exemplo?

Ajudei dois dos políticos mais decentes que conheço. No final de 2009, fui convidado para um jantar na casa do senador Marco Maciel. Estávamos eu, o ex-ministro da Fazenda Gustavo Krause e o Kassab. Krause explicou que, para fazer a pré-campanha de Marco Maciel, era preciso 150 mil reais por mês. Eu e Kassab, portanto, nos comprometemos a conseguir, cada um, 75 mil reais por mês. Alguém duvida da honestidade do Marco Maciel? Claro que não. Mas ele precisa se eleger. O senador Cristovam Buarque, do PDT, que eu conheço há décadas, um dos homens mais honestos do Brasil, saiu de sua campanha presidencial, em 2006, com dívidas enormes. Ele pediu e eu ajudei.

Então o senhor também ajudou políticos de outros partidos?

Claro. Por amizade e laços antigos, como no caso do PSDB, partido no qual fui líder do Congresso no governo FHC, e por conveniências regionais, como no caso do PT de Goiás, que me apoiava no entorno de Brasília. No caso do PSDB, a ajuda também foi nacional. Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações. Fazia de coração, com a melhor das intenções.


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  1. Olha gente! O Arruda fez um governo muito bom aqui em Brasília, confesso que nunca votei nele, porém, ele fez um ótimo governo, arrumando todas as bagunças que existiam na cidade e dando uma melhora visual e e uma economia de gastos enorme. Dessa forma, em se tratando dessas condutas boas meu voto já era dele. Nas eleições de 2010 o Arruda seria reeleito com certeza aqui, e com folga. No entanto saiu esse tal de mensalão do DEM justamente para acabar com a vitória de Arruda nas eleições. Entretanto, não podemos nos omitir, fez coisas boas? fez. Entrou no sistema da corrupção? temos que banir das política brasileira de uma vez por todas, e depois que acabarem as noticias, não dá uma de esquecidos nos próximos quatro anos e eleger esse tipo de político que se deixa levar pela máquina da corrupção.

    Gilcimar de souza Silva
    Brasília - DF

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