quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Andrew Burton - France Presse

Rejeitado. Ignorado. Adotado. Marginal. Revolucionário. Visionário. Gênio. Perfeccionista. Carrasco. Saudoso.

Todas as palavras acima já foram utilizadas para descrever a mesma pessoa: Steve Jobs, o fundador da Apple, falecido nesta quarta-feira (05), aos 56 anos, em decorrência de um câncer.

Há menos de 40 dias, Jobs havia decidido que não podia mais conduzir a Apple. “Eu sempre afirmei que se chegasse o dia em que eu não fosse mais capaz de cumprir minhas obrigações e expectativas como CEO da Apple, eu seria o primeiro a informá-los disso. Infelizmente, este dia chegou”, afirmou em nota divulgada no último dia 28 de agosto.

Jobs deixa viúva sua esposa, Laurene Powell, e órfãos muito mais que seus quatro filhos. Não seria exagero dizer que ele mudou a sua vida. Por menos óbvio que isso possa parecer à você, ele fez isso.

Quer entender como?  Bem, este texto de autoria do @Neto, publicado na edição de 29 de agosto de 2011 do jornal Meio & Mensagem, pode fazer isso melhor do que eu poderia:

Ele decidiu que você teria uma vida diferente. E você aceitou.

Decidiu que você passaria boa parte do tempo na frente de uma tela de umas poucas polegadas e que, por isso mesmo, essa tela deveria ser gráfica e viva, ao invés de monótona e cheia de linhas de texto verde ou âmbar.

Decidiu que ao invés do teclado, boa parte dos seus comandos para essa tela seriam dados através de um trequinho que desliza na mesa.

Decidiu que você não usaria essa tela apenas no trabalho e sim, teria uma parecida em casa. Mesmo com muita gente dizendo que um aparato desses em casa era desnecessário, insistiu que a coisa era útil para realizar tarefas que nem sequer sabíamos que poderiam ser realizadas de forma mais simples, como escrever textos, controlar saldo e outras atividades que hoje fazem parte de nossa rotina.

Mais do que isso, ele sabia que você seria capaz de criar, de produzir, se tivesse as ferramentas certas. Assim, de certa forma, ele acreditou em você.Mas o destino não ia fazê-lo parar por aí.

Que improvável que um sujeito sem formação específica tenha tido o drive de simplesmente não parar de criar.

Por uma dessas reviravoltas que o destino dá, se transformou no Walt Disney do nosso tempo. Apresentou-nos a brinquedos que ganharam vida como nunca vimos antes e, na Pixar, nos trouxe outras histórias singelas que conectaram adultos e crianças como há muito não acontecia.

Que ironia que alguém tão tecnológico, tenha sido capaz, também, de um feito tão humano.
Então veio a segunda onda.

Decidiu que teríamos que usar fones de ouvido pelas ruas, porque conseguiu enfiar todas as músicas que temos dentro de uma caixa menor do que um maço de cigarros.

Aprimorou suas invenções no limite da tecnologia disponível na forma de uma traquitana portátil, que fez com que toda gente saísse pelas ruas, pelos metrôs, ônibus e carros, conectada virtualmente com outras pessoas que tinham telinhas iguais.

A gente tem sorte de viver em seu tempo e ter testemunhado tudo isso acontecer.

Steve Jobs não é um gênio à moda antiga. Não é um sujeito que escreveu teorias que precisarão ser provadas e que mudarão o rumo da física. Nada disso. Jobs é um gênio 2.0, um gênio do nosso tempo. Mais que um gênio criador, um gênio viabilizador. Seu mérito não está necessariamente em inventar, mas sim em possibilitar a existência. E mais do que apenas existir. Existir com brilhantismo, graças a sua paixão pelo design.

Da interface gráfica ao tablet. Do mouse ao smartphone pouca coisa foi inventada por ele.

Quem sabe o fato de ser adotado, inconscientemente lhe ensinou que a paternidade de uma ideia não é o mais importante e que o que importa mesmo é compreendê-la e fazê-la existir com sucesso.

Não se engane. Jobs mudou a sua vida de maneira muito mais drástica que a maioria dos, por exemplo, ganhadores de prêmios Nobel. E será lembrado como tal. Como o vetor de mudança de toda uma era.

Hoje ele deixa a Apple com um futuro sólido pela frente. Deixa a Apple como a empresa mais valiosa do mundo e com mais caixa até que os cofres dos EUA, e esse talvez seja seu último legado.

Finalmente, para nós, fica a gratidão e a saudade do seu “oh..and there is one more thing…“

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