terça-feira, 24 de junho de 2014




“Vencer Camarões é fácil, quero ver pegar a Argentina!”

“O Chile tem time muito melhor que o nosso!”

“A Holanda arrasaria o Brasil!”


“A Alemanha é que tem craques!”


“Neymar é superestimado!”


Tenho lido isso, e muito mais, nas redes sociais. É incrível como o torcedor brasileiro SEMPRE acha a nossa Seleção inferior às demais, mesmo sendo o único no mundo com 5 estrelas no peito! Mas isso nem é novidade, admitamos! A desconfiança da torcida sucessivamente ronda a Canarinho! Em 1958, nossa primeira estrela, ela, a desconfiança, era totalmente justificada. Garrincha (pasmem) não era uma unanimidade para boa parte da torcida. Pelé, com 17 anos e jogando no interior de São Paulo, era quase um desconhecido do grande público nacional numa era sem internet e praticamente sem TV, na qual o foco era o futebol do Rio de Janeiro, então capital federal. Foi um show, que se encerrou com o capitão Bellini imortalizando o gesto de levantar a taça, copiado dali em diante pelo campeão de qualquer modalidade esportiva!


Em 1962, muitos acreditavam que não daria para repetir o feito. Quando Pelé se machucou e ficou fora da Copa logo em seu início é que complicou! Não tinha jeito de ganhar! Mas ganhou, bonito, com Garrincha exaltado pela imprensa do mundo inteiro! Quem não conhece a notável manchete de um jornal chileno que questionou em sua primeira página: “De que planeta veio Garrincha?”.
Em 1970, a desconfiança e o clima ruim, sobretudo político, derrubaram o técnico João Saldanha às vésperas da Copa. Há quem não saiba disso. Mas o que todos lembram é a cena marcante da torcida mexicana invadindo o gramado do Estádio Azteca para celebrar o nosso tricampeonato, deixando Pelé quase nu, tirando-lhe as meias, camisa e calção para terem uma lembrança daquele dia que – segundo eles – nos uniu para sempre. Cenas certas de figurarem em qualquer filme sobre a história das Copas.


Em 1994, aos 14 anos, acompanhei de verdade minha primeira Copa do Mundo. O Brasil vinha de uma campanha pífia em 90, quando caiu nas oitavas. O descrédito era grande! Era a Seleção que jogava feio para muitos na imprensa e na torcida. Parreira não era técnico bom o bastante e com suas retrancas não conseguiria nos levar longe o bastante. Um baixinho chamado Romário, ao lado de Bebeto e companhia, me fez comemorar meu primeiro mundial, em uma competição emocionante do início ao fim, decidida nos pênaltis (obrigado, Baggio e Taffarel!).


Em 2002, o pessimismo vinha do triste desempenho na fatídica final de 1998, quando, apáticos, levamos uma surra dos franceses! Nossa maior estrela, Ronaldo, vinha de gravíssimas contusões no joelho. Os ligamentos se romperam duas vezes! A segunda no seu jogo de retorno, após o tratamento para recuperar a primeira lesão! Eu assistia essa partida ao vivo, Inter de Milão x Lazio. Ele entrou no segundo tempo e quando tentou seu primeiro drible... é chocante a imagem, depois repetida exaustivamente em todos os noticiários, de seu joelho saindo do lugar. Nunca esqueci sua expressão de dor e decepção, ali no gramado, diante de milhares de torcedores hipnotizados. Um médico comentarista de futebol de um canal aberto do Brasil chegou a decretar que Ronaldo nunca mais jogaria futebol. Muitos outros jornalistas e especialistas mundo afora garantiam o mesmo. E muitos acreditavam nisso! Claro! Ronaldo passou meses andando de muleta, mais de um ano de molho... era difícil mesmo pensar no contrário. Bom, preciso nem dizer que ele igualou o feito de Jairzinho em 1970, marcando gols em todos os jogos, chegando a incrível marca de maior artilheiro das Copas e contribuindo decisivamente para que Cafú pudesse erguer a taça após a final contra a Alemanha (sempre favorita) enquanto declarava seu amor à sua esposa e ao bairro pobre onde cresceu.


Agora, Copa no Brasil. Protestos quase impediram o clima da Copa de acontecer. Mas ele chegou e o Brasil sedia uma das mais elogiadas Copas de todos os tempo, até o momento. Mas estamos em 2014, doze anos e duas copas após o nosso último triunfo. Para o brasileiro, é muito tempo. E há grande times jogando aqui! O brasileiro exalta, com justiça, a Holanda dos excepcionais Robben e Van Persie, esquecendo que a equipe brilhante que integram precisou de um gol contra para superar a fraca e carismática equipe da Austrália, que se despede já nessa primeira fase. O brasileiro se impressiona com a fantástica campanha do Chile, que perdeu pra Holanda após vencer uma decadente e irreconhecível Espanha. O brasileiro se rendeu à eficiência do futebol alemão, que por muito pouco e com alguma sorte conseguiu superar Gana e só empolgou vencendo um Portugal bastante limitado. O brasileiro execra Neymar Jr que, aos 22 anos e em sua primeira Copa do Mundo, soma mais gols em mundiais que os fora de série Messi e Cristiano Ronaldo, que já jogaram duas edições cada um. “Ah, mas o Fred é um cone!”; “O Felipão é cego!”, “blá-blá-blá”, etc., etc., etc.... Sinceramente? Sou do tipo de torcedor que acredita! E motivos para isso não me faltam! Respeito quem não acredita ou quem mistura futebol e política e acredita que torcer contra a Seleção é um “bem que faz à nação”. Respeito também os pessimistas por vocação! Mas, amo futebol e acredito no Brasil! Estamos aí na torcida! Vamos pra cima!!! Que venham os adversários!

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